Ele acordou naquele 31 de dezembro
E lavou seu rosto pela última vez
Olhou no espelho a última vez
Lembrou do passado uma última vez
Sofreu pela última vez...
Naquele ano
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
sábado, 29 de dezembro de 2012
As Mulheres da Estação
A Mulher de Primavera
Tem carinhos macios
Como o leve sopro do vento
E tem o olor das flores abertas
A Mulher de Verão
É calorosa e tem na pele o bronze do sol
Dona de um sorriso radiante, contagiante
Leva nos cabelos, as ondas do mar
A Mulher de Outono
É romântica e triste
Dona do olhar mais belo e profundo
Seus olhos são as árvores e suas lágrimas, as folhas
A Mulher de inverno
Te abraça forte para se curar do frio
Jura amor eterno, pede pra ficar
E quando faz calor, vai embora para nunca mais voltar
Tem carinhos macios
Como o leve sopro do vento
E tem o olor das flores abertas
A Mulher de Verão
É calorosa e tem na pele o bronze do sol
Dona de um sorriso radiante, contagiante
Leva nos cabelos, as ondas do mar
A Mulher de Outono
É romântica e triste
Dona do olhar mais belo e profundo
Seus olhos são as árvores e suas lágrimas, as folhas
A Mulher de inverno
Te abraça forte para se curar do frio
Jura amor eterno, pede pra ficar
E quando faz calor, vai embora para nunca mais voltar
domingo, 23 de dezembro de 2012
Canção Natalina
Há algo no natal
Que não sei explicar
É um abismo do mal
É um sentimento sem par
Há uma saudade tão forte
De algo que ainda não existiu
Que arde como um corte
Uma navalha que me atingiu
Neste natal, não há compaixão
Não ganho presentes, não encontro razão
Para continuar lutando, em vão
Contra o aterrador sentimento de solidão
E passa mais um natal
Faltam poucos, afinal
Que não sei explicar
É um abismo do mal
É um sentimento sem par
Há uma saudade tão forte
De algo que ainda não existiu
Que arde como um corte
Uma navalha que me atingiu
Neste natal, não há compaixão
Não ganho presentes, não encontro razão
Para continuar lutando, em vão
Contra o aterrador sentimento de solidão
E passa mais um natal
Faltam poucos, afinal
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Primavera
O que há na primavera?
Esta misteriosa estação
Que é esperança para quem espera
Livrar-se da ardente solidão
É o magnífico tempo das flores
E o paraíso dos animais
É lar de novos amores
E aliança de novos casais
Quando até mesmo os incrédulos se impressionam
É que se desconfia que algo diferente está no ar
E até mesmo os feridos se apaixonam
Pois brava é a luta de quem busca seu par
Mas minha arma perdeu o fio de tanto cortar
Apunhalado no coração, renuncio ao querer, renuncio ao amar
Esta misteriosa estação
Que é esperança para quem espera
Livrar-se da ardente solidão
É o magnífico tempo das flores
E o paraíso dos animais
É lar de novos amores
E aliança de novos casais
Quando até mesmo os incrédulos se impressionam
É que se desconfia que algo diferente está no ar
E até mesmo os feridos se apaixonam
Pois brava é a luta de quem busca seu par
Mas minha arma perdeu o fio de tanto cortar
Apunhalado no coração, renuncio ao querer, renuncio ao amar
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Instante Pequeno
Olhos que se encontram
Em um instante pequeno
Olhares que apontam
O objeto do desejo
Apenas um segundo
E os corpos se cruzam
Deixando o perfume profundo
Que as flores da primavera usam
Cabelos esvoaçantes pausam o tempo
Como se os segundos fossem horas
E seu perfume segue a favor do vento
E ambos se afastam sem olhar para trás
E fatalmente na vastidão do espaço
Não se encontrarão jamais
Em um instante pequeno
Olhares que apontam
O objeto do desejo
Apenas um segundo
E os corpos se cruzam
Deixando o perfume profundo
Que as flores da primavera usam
Cabelos esvoaçantes pausam o tempo
Como se os segundos fossem horas
E seu perfume segue a favor do vento
E ambos se afastam sem olhar para trás
E fatalmente na vastidão do espaço
Não se encontrarão jamais
sábado, 15 de dezembro de 2012
Tecido do Tempo
Quebrei as barreiras do tempo
Me curei da cegueira do medo
Voltei a tempo pra ver
O Sol se acender
Assisti estrelas nascendo no céu
E servi rainhas, tecendo seu véu
Lutei em batalhas, soldados feridos no chão
E navalhas me cortaram como solidão
Anos passam tão rápido, correm
Um rio claro e plácido, que naveguei
Vi tanta gente nascer
Vi tanto homem morrer
O tecido do tempo se rasgou
A história do mundo se misturou
E eu vou andar, roubando as lembranças pra mim
Só vai acabar quando o Mundo chegar a seu fim
Me curei da cegueira do medo
Voltei a tempo pra ver
O Sol se acender
Assisti estrelas nascendo no céu
E servi rainhas, tecendo seu véu
Lutei em batalhas, soldados feridos no chão
E navalhas me cortaram como solidão
Anos passam tão rápido, correm
Um rio claro e plácido, que naveguei
Vi tanta gente nascer
Vi tanto homem morrer
O tecido do tempo se rasgou
A história do mundo se misturou
E eu vou andar, roubando as lembranças pra mim
Só vai acabar quando o Mundo chegar a seu fim
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
As Botas de Meu Pai
Papai era soldado
Lembro-me de brincar com suas botas e usar seu chapéu
Lembro-me das estrelas em seu uniforme
Lembro-me que era um homem sorridente, e me fazia rir
Um dia, papai não estava sorrindo,
Beijou e abraçou mamãe, como não fazia normalmente
Disse-me que tinha que viajar, mas que já voltava
Disse que não eu não podia ir junto, mas sempre escreveria para mim
De fato escreveu, mas apenas para mamãe, que chorava ao ler as cartas
Ela não lia para mim, pois dizia que eram difíceis demais para eu entende-las
Fiquei chateado com papai por não escrever para mim
E sentia falta de suas botas, seu chapéu, seu sorriso
Um dia chegou a última carta de papai
Parte desta era destinada a mim
Neste trecho dizia:
"Meu pequeno, sinto muito a sua falta.
Aqui onde estou, não há crianças para brincar.
Lembre-se que mesmo estando longe, papai estará sempre contigo.
Cuide bem da mamãe por mim.
Se estiver lendo isso é porque perdemos."
Nunca mais brinquei de soldado...
Lembro-me de brincar com suas botas e usar seu chapéu
Lembro-me das estrelas em seu uniforme
Lembro-me que era um homem sorridente, e me fazia rir
Um dia, papai não estava sorrindo,
Beijou e abraçou mamãe, como não fazia normalmente
Disse-me que tinha que viajar, mas que já voltava
Disse que não eu não podia ir junto, mas sempre escreveria para mim
De fato escreveu, mas apenas para mamãe, que chorava ao ler as cartas
Ela não lia para mim, pois dizia que eram difíceis demais para eu entende-las
Fiquei chateado com papai por não escrever para mim
E sentia falta de suas botas, seu chapéu, seu sorriso
Um dia chegou a última carta de papai
Parte desta era destinada a mim
Neste trecho dizia:
"Meu pequeno, sinto muito a sua falta.
Aqui onde estou, não há crianças para brincar.
Lembre-se que mesmo estando longe, papai estará sempre contigo.
Cuide bem da mamãe por mim.
Se estiver lendo isso é porque perdemos."
Nunca mais brinquei de soldado...
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Descanso
Eu preciso de descanso
Esquecer os problemas
E as soluções
Esquecer de mim
Quero esquecer o ódio e a imperfeição do homem
Quero esquecer o amor, suas causas e efeitos
Quero esquecer que preciso acordar amanhã
Quero esquecer que quero esquecer
Quero repousar nos braços abafados da terra
Ver o verde crescer sobre mim
Fechar os olhos
Eu preciso do eterno descanso
Esquecer os problemas
E as soluções
Esquecer de mim
Quero esquecer o ódio e a imperfeição do homem
Quero esquecer o amor, suas causas e efeitos
Quero esquecer que preciso acordar amanhã
Quero esquecer que quero esquecer
Quero repousar nos braços abafados da terra
Ver o verde crescer sobre mim
Fechar os olhos
Eu preciso do eterno descanso
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Dona Dalva
Dona Dalva, formosa e bela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua varanda, perfeita
A nenhum que passa faz desfeita
Passa o dia na varanda a sorrir, que energia!
Enche os homens do bairro de alegria
E do olhar alto de sua varanda, a cidade não tem defeito
E eu, de caminho para a estação
Pela primeira vez observo a cidade do chão
Pretos, pobres, pestes, postes
Prédios, poluição, papel e papelão
Perfeito, o prefeito pensou pelo menos
Por pérolas aos porcos é pensar pequeno
Passando a cidade, a estação que me aguarde!
Deste inferno arredo o pé, e não será tão tarde
No balanço do Trem eu sigo minha caminhada
Fecho os olhos e finjo que não vejo nada
Mas no meio dos barracos, quem vejo é ela
Dona Dalva, formosa e bela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua janela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua varanda, perfeita
A nenhum que passa faz desfeita
Passa o dia na varanda a sorrir, que energia!
Enche os homens do bairro de alegria
E do olhar alto de sua varanda, a cidade não tem defeito
E eu, de caminho para a estação
Pela primeira vez observo a cidade do chão
Pretos, pobres, pestes, postes
Prédios, poluição, papel e papelão
Perfeito, o prefeito pensou pelo menos
Por pérolas aos porcos é pensar pequeno
Passando a cidade, a estação que me aguarde!
Deste inferno arredo o pé, e não será tão tarde
No balanço do Trem eu sigo minha caminhada
Fecho os olhos e finjo que não vejo nada
Mas no meio dos barracos, quem vejo é ela
Dona Dalva, formosa e bela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua janela
sábado, 1 de dezembro de 2012
Sorriso
Embaixo da Jabuticabeira, no quintal de casa
Há uma pequena estátua de criança
Que sorri, que sorri
E chove, e esfria, e ela sempre sorri
Não sei quem a colocou neste lugar
Mas de certo, alguém criativo
Pois sempre que passo por lá
Admiro a pequena criança sorridente, vivendo uma eterna tarde perfeita
Todos os dias são, para essa pequena, momentos de alegria
Daqueles que lembramos para a vida toda
Doces momentos da infância, que passam e não voltam mais
Sentada à sombra da árvore
Será que ela sabe o quão sortuda é?
Será que sabe que fora de suas tardes perfeitas, sorrisos são tão raros
E que o tempo passa, e que a vida passa...
Será que sabe que a invejo?
Há uma pequena estátua de criança
Que sorri, que sorri
E chove, e esfria, e ela sempre sorri
Não sei quem a colocou neste lugar
Mas de certo, alguém criativo
Pois sempre que passo por lá
Admiro a pequena criança sorridente, vivendo uma eterna tarde perfeita
Todos os dias são, para essa pequena, momentos de alegria
Daqueles que lembramos para a vida toda
Doces momentos da infância, que passam e não voltam mais
Sentada à sombra da árvore
Será que ela sabe o quão sortuda é?
Será que sabe que fora de suas tardes perfeitas, sorrisos são tão raros
E que o tempo passa, e que a vida passa...
Será que sabe que a invejo?
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Beleza
Se a beleza é para você a virtude mais valiosa
Se esta é a sua razão de ser
Querida, devo lhe dizer
Que sua estrada será tortuosa
Pois a beleza é fruto maduro
Vistosa por fora, mas por dentro pode
Tem o interior apavorantemente escuro
Tem aparência nobre, mas realmente esnobe
E a beleza passa, como tua juventude
De que vale este belo rosto , que virtude!
Se por dentro tem um coração negro e rude?
E este sorriso em teu rosto, apagará
E a cabeleira de prata logo surgirá.
E aquele que exalta a tua beleza, te esquecerá.
Se esta é a sua razão de ser
Querida, devo lhe dizer
Que sua estrada será tortuosa
Pois a beleza é fruto maduro
Vistosa por fora, mas por dentro pode
Tem o interior apavorantemente escuro
Tem aparência nobre, mas realmente esnobe
E a beleza passa, como tua juventude
De que vale este belo rosto , que virtude!
Se por dentro tem um coração negro e rude?
E este sorriso em teu rosto, apagará
E a cabeleira de prata logo surgirá.
E aquele que exalta a tua beleza, te esquecerá.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O Homem Sem Medo
Havia um homem covarde. Por mais que fosse provocado ou humilhado, permanecia calado em seu canto. Era motivo de riso para todos, respeito não tinha nenhum.
Temia qualquer coisa que passasse em seu caminho, temia qualquer um que levantasse a voz. Era enganado facilmente e mesmo que percebesse, não fazia nada, abaixava a cabeça e aceitava.
Era solitário o pobre homem. Seu pai, não conhecera, sua mãe há muito o deixara pela tuberculose. Tinha que se virar com o pouco que tinha, sem ajuda alguma. Aliás, podia contar com todos para atrapalhar um pouco mais.
Um dia, conheceu uma mulher que lhe agradava os olhos. Por incrível que pareça, esta não o tratava mal, sempre era agradável com ele e achava um absurdo o que faziam com aquele pobre homem. Após algum tempo, casaram-se.
Este homem passou a perder seus medos. Dia após dia ficava mais duro e tolerava menos daqueles que abusavam de sua paciência. Descobriu que era forte e que não precisava temer a ninguém. Tornava-se, aos poucos, um homem violento nas ruas, um homem que não levava desaforos para casa, um homem sem paciência, muito diferente daquele que fora há tempos.
Tinha muito ódio para distribuir, acumulado nos anos de humilhação, portanto, os desavisados que levantavam a voz para ele, não viam o sol nascer na manhã seguinte. Logo ficou conhecido como o Homem Sem Medo.
Um dia, enquanto brigava na rua, como de costume, sua mulher chegou gritando seu nome e exigindo que voltasse para casa. -“É o fim da pobre mulher que se casara com este homem violento.”- Foi o que todos os presentes pensaram. Porém o Homem Sem Medo murchou, abaixou a cabeça e foi com sua mulher para casa.
No dia seguinte, em seu trabalho, seu peito estava inflado novamente. Um amigo perguntou: “Você é um homem sem medos, já o vi assassinar sem problema algum, homens perigosos. Por que permitira que uma mulher, frágil e delicada, o humilhasse dessa forma?” – O Homem Sem Medo respirou fundo: - “Meu amigo, não sou um homem sem medos. Já assassinei dezenas de homens duros como pedra, enfrentei as trevas da noite e tudo o que é mais temido. Porém temo menos o inferno e os demônios do que um dia perder a companhia daquela mulher.”
E quem diria que o homem sem medos no coração, não temia nada além da solidão.
Temia qualquer coisa que passasse em seu caminho, temia qualquer um que levantasse a voz. Era enganado facilmente e mesmo que percebesse, não fazia nada, abaixava a cabeça e aceitava.
Era solitário o pobre homem. Seu pai, não conhecera, sua mãe há muito o deixara pela tuberculose. Tinha que se virar com o pouco que tinha, sem ajuda alguma. Aliás, podia contar com todos para atrapalhar um pouco mais.
Um dia, conheceu uma mulher que lhe agradava os olhos. Por incrível que pareça, esta não o tratava mal, sempre era agradável com ele e achava um absurdo o que faziam com aquele pobre homem. Após algum tempo, casaram-se.
Este homem passou a perder seus medos. Dia após dia ficava mais duro e tolerava menos daqueles que abusavam de sua paciência. Descobriu que era forte e que não precisava temer a ninguém. Tornava-se, aos poucos, um homem violento nas ruas, um homem que não levava desaforos para casa, um homem sem paciência, muito diferente daquele que fora há tempos.
Tinha muito ódio para distribuir, acumulado nos anos de humilhação, portanto, os desavisados que levantavam a voz para ele, não viam o sol nascer na manhã seguinte. Logo ficou conhecido como o Homem Sem Medo.
Um dia, enquanto brigava na rua, como de costume, sua mulher chegou gritando seu nome e exigindo que voltasse para casa. -“É o fim da pobre mulher que se casara com este homem violento.”- Foi o que todos os presentes pensaram. Porém o Homem Sem Medo murchou, abaixou a cabeça e foi com sua mulher para casa.
No dia seguinte, em seu trabalho, seu peito estava inflado novamente. Um amigo perguntou: “Você é um homem sem medos, já o vi assassinar sem problema algum, homens perigosos. Por que permitira que uma mulher, frágil e delicada, o humilhasse dessa forma?” – O Homem Sem Medo respirou fundo: - “Meu amigo, não sou um homem sem medos. Já assassinei dezenas de homens duros como pedra, enfrentei as trevas da noite e tudo o que é mais temido. Porém temo menos o inferno e os demônios do que um dia perder a companhia daquela mulher.”
E quem diria que o homem sem medos no coração, não temia nada além da solidão.
domingo, 11 de novembro de 2012
Crime e castigo
Encanta-me com tua graça
Atinja-me com teu olhar
Agrada-me o tato com tua pele
Preencha-me os braços com teu corpo
Pois frios tornam-se os lugares em que não estás
E fétido é o ar em que não habitas
E não há alegria alguma no luar
Se visto diretamente e não refletido nos olhos teus
Então destrua-me, destrua-me lentamente
Quero ser extinto aos poucos pelo seu toque
E não preservado pela eternidade por tua lembrança
Mas não amaldiçoa-me com tua ausência
Que castigo é para o réu, o criminoso
E todo o meu crime consiste em um dia conhece-la
Atinja-me com teu olhar
Agrada-me o tato com tua pele
Preencha-me os braços com teu corpo
Pois frios tornam-se os lugares em que não estás
E fétido é o ar em que não habitas
E não há alegria alguma no luar
Se visto diretamente e não refletido nos olhos teus
Então destrua-me, destrua-me lentamente
Quero ser extinto aos poucos pelo seu toque
E não preservado pela eternidade por tua lembrança
Mas não amaldiçoa-me com tua ausência
Que castigo é para o réu, o criminoso
E todo o meu crime consiste em um dia conhece-la
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Despertar
Este é um texto que escrevi recentemente. Foge um pouco do padrão do blog, mas de qualquer forma, postarei.
http://www.mediafire.com/view/?xcdz0vpb03xmq0u
http://www.mediafire.com/view/?xcdz0vpb03xmq0u
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Soeur
Oh, Irmã, que pedra rígida és tu em minha memória
Na solidez macia de sua força mora
Uma tristeza aguda que escondes de outrora
Porém feridas doem sem lugar nem hora
Esquece o presente, pois este é imperfeito
E só na sabedoria dos anos é que encontrarás seu leito
E a paz não existe também para o feliz ou o perfeito
Aguarda, que será largo o caminho que hoje é estreito
Mas não se afobe, mana, pois o tempo demora
E enquanto não passa, põe tua cabeça no meu peito e chora
Na solidez macia de sua força mora
Uma tristeza aguda que escondes de outrora
Porém feridas doem sem lugar nem hora
Esquece o presente, pois este é imperfeito
E só na sabedoria dos anos é que encontrarás seu leito
E a paz não existe também para o feliz ou o perfeito
Aguarda, que será largo o caminho que hoje é estreito
Mas não se afobe, mana, pois o tempo demora
E enquanto não passa, põe tua cabeça no meu peito e chora
Valsa do Tempo
De novo, papéis rasgados
A chuva chorando, vidros quebrados
Não era esse o nosso final
Não era pra ser fatal
Bebi do copo do piano
Pra sentir seu gosto, seu beijo
Uma vez mais, no ar, flutuando
Realizar meu profundo desejo
O sangue nessas letras é meu
São versos do amor plebeu
Que no tempo, que corre, gemeu
A valsa do tempo é assim
A dança que dança em mim
Nos passos perdidos do fim
A chuva chorando, vidros quebrados
Não era esse o nosso final
Não era pra ser fatal
Bebi do copo do piano
Pra sentir seu gosto, seu beijo
Uma vez mais, no ar, flutuando
Realizar meu profundo desejo
O sangue nessas letras é meu
São versos do amor plebeu
Que no tempo, que corre, gemeu
A valsa do tempo é assim
A dança que dança em mim
Nos passos perdidos do fim
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Prisão Perpétua
E se meus braços fossem grades?
Meu abraço seria uma cela
Você seria a prisioneira
E eu, o sentinela
Meu coração seria uma prisão
Meus beijos, a detenção
A Liberdade, solidão
A pena de morte, morrer de paixão
Meu abraço seria uma cela
Você seria a prisioneira
E eu, o sentinela
Meu coração seria uma prisão
Meus beijos, a detenção
A Liberdade, solidão
A pena de morte, morrer de paixão
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Os Homens de Pedra
Os Homens de Pedra não são de pedra realmente. São de carne e osso, mas não mais do que isso.
Tudo o que os estes homens fazem é voltado à sua sobrevivência, se caçam é para comer, se plantam é para colher.
Os Homens de Pedra não são como os homens comuns, são incapazes de sentir qualquer afeto. Por isso não têm lar, família ou grupo. Vivem solitários, morrem solitários.
Quando se ferem, não se apressam a fazer curativos, deixam o sangue escorrer até a última gota. Homens de Pedra morrem muito cedo.
Não há funerais para eles. Se um deles morre, não há choro, nem mesmo enterro.
Tudo isso é porque os Homens de pedra, por alguma razão, não têm sentimentos. Não sentem saudade, não se apegam a lugares ou objetos, não amam.
Os Homens de Pedra não sofrem.
Tudo o que os estes homens fazem é voltado à sua sobrevivência, se caçam é para comer, se plantam é para colher.
Os Homens de Pedra não são como os homens comuns, são incapazes de sentir qualquer afeto. Por isso não têm lar, família ou grupo. Vivem solitários, morrem solitários.
Quando se ferem, não se apressam a fazer curativos, deixam o sangue escorrer até a última gota. Homens de Pedra morrem muito cedo.
Não há funerais para eles. Se um deles morre, não há choro, nem mesmo enterro.
Tudo isso é porque os Homens de pedra, por alguma razão, não têm sentimentos. Não sentem saudade, não se apegam a lugares ou objetos, não amam.
Os Homens de Pedra não sofrem.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Lágrimas de cebola
Toda noite, quando chego do trabalho, cansado e faminto, pego a nega na cozinha soluçando em pranto. – O que foi, Nega? - eu pergunto - É a cebola, Nego - ela responde.
E todo dia é a mesma história, a nega chora na cozinha e põe a culpa na cebola.
Um dia cheguei e a nega não estava. Deixou a cebola na metade sobre a mesa e um bilhete na geladeira dizendo que foi embora e que não voltava mais. Sem motivo, sem razão.
Peguei a cebola e comecei a cortar para fazer a janta, já que estava faminto.
Chorei de soluçar... Lágrimas de cebola?
E todo dia é a mesma história, a nega chora na cozinha e põe a culpa na cebola.
Um dia cheguei e a nega não estava. Deixou a cebola na metade sobre a mesa e um bilhete na geladeira dizendo que foi embora e que não voltava mais. Sem motivo, sem razão.
Peguei a cebola e comecei a cortar para fazer a janta, já que estava faminto.
Chorei de soluçar... Lágrimas de cebola?
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Caixa de Pandora
A linha que difere um homem de um lunático é fina e confusa
Creio que ainda não nasceu o dia em que estive em um desses dois lados.
Outrora, jogado nos braços calorosos do amor, pensei ter encontrado a cura
Vejo que me enganava todo esse tempo e a cura era apenas alívio.
Os mesmos lábios que me beijavam espontaneamente, trouxeram novamente a loucura à tona
E hoje, na solidão em que me encontro, vasculho o vazio de meus dias me perguntando
Onde esqueci minha razão? Quando foi, nestes longos anos, que errei tão imperdoavelmente?
E a minha inquietação é tão perturbadora que nem mesmo eu gostaria de me fazer companhia.
Pandora, a mulher, fora mandada à terra pelos deuses como punição aos homens.
Em seu baú, trouxera todos os males dos quais sofremos hoje.
E ao abrir seu baú amaldiçoou o mundo tornando-o real, como conhecemos.
Apenas uma das pragas permanecera no baú.
Não se sabe se foi por piedade de nós, pobres humanos
A praga aprisionada, a Esperança.
Este mito explica a ruina de minha vida, crer e caminhar para a luz
Acreditar na glória de minhas virtudes e feitos
E esperar reciprocidade por minha dedicação
Vivo hoje recluso na penitência do meu ser
Trancafiado com meus livros em meus aposentos, na escuridão
E na memória, uma imagem nítida da Pandora de minha vida, abrindo seu baú
Que destruiu em mim a rima vulgar que eternamente farão.
Creio que ainda não nasceu o dia em que estive em um desses dois lados.
Outrora, jogado nos braços calorosos do amor, pensei ter encontrado a cura
Vejo que me enganava todo esse tempo e a cura era apenas alívio.
Os mesmos lábios que me beijavam espontaneamente, trouxeram novamente a loucura à tona
E hoje, na solidão em que me encontro, vasculho o vazio de meus dias me perguntando
Onde esqueci minha razão? Quando foi, nestes longos anos, que errei tão imperdoavelmente?
E a minha inquietação é tão perturbadora que nem mesmo eu gostaria de me fazer companhia.
Pandora, a mulher, fora mandada à terra pelos deuses como punição aos homens.
Em seu baú, trouxera todos os males dos quais sofremos hoje.
E ao abrir seu baú amaldiçoou o mundo tornando-o real, como conhecemos.
Apenas uma das pragas permanecera no baú.
Não se sabe se foi por piedade de nós, pobres humanos
A praga aprisionada, a Esperança.
Este mito explica a ruina de minha vida, crer e caminhar para a luz
Acreditar na glória de minhas virtudes e feitos
E esperar reciprocidade por minha dedicação
Vivo hoje recluso na penitência do meu ser
Trancafiado com meus livros em meus aposentos, na escuridão
E na memória, uma imagem nítida da Pandora de minha vida, abrindo seu baú
Que destruiu em mim a rima vulgar que eternamente farão.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Sonhei
Antes só havia solidão
E minhas noites eram de densa escuridão
Mas, cansado dessa solidão, resolvi sonhar
E nesse sonho perfeito tive a quem amar
E eram tardes calorosas, em que provei do mais doce mel
E, da mais pura alegria,do sonho rasguei o véu.
Fui tolo e acreditei que o sonho era realidade
E tive de engolir o pesadelo da verdade.
Acordei. Nunca mais sonho, nunca mais, desilusão!
Terei de guardar para mim o meu ferido coração
Agora só há escuridão.
E minhas noites são da mais verdadeira solidão.
E minhas noites eram de densa escuridão
Mas, cansado dessa solidão, resolvi sonhar
E nesse sonho perfeito tive a quem amar
E eram tardes calorosas, em que provei do mais doce mel
E, da mais pura alegria,do sonho rasguei o véu.
Fui tolo e acreditei que o sonho era realidade
E tive de engolir o pesadelo da verdade.
Acordei. Nunca mais sonho, nunca mais, desilusão!
Terei de guardar para mim o meu ferido coração
Agora só há escuridão.
E minhas noites são da mais verdadeira solidão.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Canção Da Esperançança
Canção da esperança
O tempo me ensinou
O escuro e o pavor.
E quando o sonho terminou,
Cicatrizes de amor.
Quando realmente acreditei
O meu coração se abriu
Foi então que me machuquei
O abandono e o frio.
Para que servem as virtudes? Para quê?
Se entre mim e outra pessoa sempre será “você”.
Se para não machucar terceiros, sempre terei de perder.
Esperanças em vão, meu lado negro ressurgiu
Pois por tanto tempo de longe ele assistiu
A metade alva do meu ser, que partiu.
O tempo me ensinou
O escuro e o pavor.
E quando o sonho terminou,
Cicatrizes de amor.
Quando realmente acreditei
O meu coração se abriu
Foi então que me machuquei
O abandono e o frio.
Para que servem as virtudes? Para quê?
Se entre mim e outra pessoa sempre será “você”.
Se para não machucar terceiros, sempre terei de perder.
Esperanças em vão, meu lado negro ressurgiu
Pois por tanto tempo de longe ele assistiu
A metade alva do meu ser, que partiu.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Um Novo Lar
Um Novo Lar
Esta é a história de um homem que vivia em uma grande ilha. Pouco sabia da civilização, não conhecia a tecnologia. As poucas palavras que sabia seu pai o ensinara. Este sim conheceu a civilização, as guerras e o amor. Tudo o que este homem sabia sobre as pessoas era “fique longe” – seu pai o instruiu assim.
Na parede de sua pequena casa de madeira havia um quadro. Seu pai dissera que é um quadro sobre o amor. Nele, um homem entrega uma flor a uma mulher e esta retribui com um sorriso. Mulheres gostam de flores. Era tudo o que sabia sobre elas. Nenhum homem na terra sabe muito mais do que isso.
Não era feliz, pois não sabia o que era isso. Mas sentia algo estranho, ruim, quando se lembrava de seu pai, que um dia, após um estalo, caiu no mar. As ondas, sujas de vinho, o levaram embora para nunca mais voltar. Mesmo assim ele esperava.
Um dia chegou um navio. As pessoas que dele desceram eram diferentes. Não sabia o porquê, mas eram. Logo derrubaram sua casa, asfaltaram o chão e instalaram muitas luzes. Fizeram-no dormir no chão e no sereno. Seu quadro foi vendido.
Logo aprendeu que ali não era o seu lugar. Nascera ali, vivera ali, mas de alguma forma, aquilo não pertencia mais a ele. Percorreu a ilha toda a procura de abrigo, mas onde quer que fosse olhares e dedos o perseguiam.
Sempre que passava por certa rua, via uma mesma mulher. Sua aparência era agradável. Um dia lembrou-se do seu quadro e apanhou a flor que julgou ser a mais bela e entregou-a para a mulher. Porém ela pisou em sua flor. O quadro estava errado. O amor não existia. E por alguma razão chorou como chorava quando se lembrava de seu pai.
Sentou-se um dia à beira do mar. Lembrou-se de tudo o que acontecera desde que aquele navio ancorara em sua ilha. Perdera tudo. Ficou observando o horizonte se apagar e se fundir com o mar. A vontade de entrar na água tomou conta do seu corpo. Caminhou até seus pés não alcançarem mais o chão. Sentiu a água levando-o para algum lugar. Quando já não conseguia mais ver as luzes da ilha, sua cabeça afundou, mas não sentia vontade de voltar para a superfície. Sentia-se bem ali. Sentiu que ninguém o expulsaria de lá.
Sua visão foi escurecendo. Sentia seu corpo leve como se estivesse voando.
E hoje no fundo do mar dois corpos se abraçam.
Esta é a história de um homem que vivia em uma grande ilha. Pouco sabia da civilização, não conhecia a tecnologia. As poucas palavras que sabia seu pai o ensinara. Este sim conheceu a civilização, as guerras e o amor. Tudo o que este homem sabia sobre as pessoas era “fique longe” – seu pai o instruiu assim.
Na parede de sua pequena casa de madeira havia um quadro. Seu pai dissera que é um quadro sobre o amor. Nele, um homem entrega uma flor a uma mulher e esta retribui com um sorriso. Mulheres gostam de flores. Era tudo o que sabia sobre elas. Nenhum homem na terra sabe muito mais do que isso.
Não era feliz, pois não sabia o que era isso. Mas sentia algo estranho, ruim, quando se lembrava de seu pai, que um dia, após um estalo, caiu no mar. As ondas, sujas de vinho, o levaram embora para nunca mais voltar. Mesmo assim ele esperava.
Um dia chegou um navio. As pessoas que dele desceram eram diferentes. Não sabia o porquê, mas eram. Logo derrubaram sua casa, asfaltaram o chão e instalaram muitas luzes. Fizeram-no dormir no chão e no sereno. Seu quadro foi vendido.
Logo aprendeu que ali não era o seu lugar. Nascera ali, vivera ali, mas de alguma forma, aquilo não pertencia mais a ele. Percorreu a ilha toda a procura de abrigo, mas onde quer que fosse olhares e dedos o perseguiam.
Sempre que passava por certa rua, via uma mesma mulher. Sua aparência era agradável. Um dia lembrou-se do seu quadro e apanhou a flor que julgou ser a mais bela e entregou-a para a mulher. Porém ela pisou em sua flor. O quadro estava errado. O amor não existia. E por alguma razão chorou como chorava quando se lembrava de seu pai.
Sentou-se um dia à beira do mar. Lembrou-se de tudo o que acontecera desde que aquele navio ancorara em sua ilha. Perdera tudo. Ficou observando o horizonte se apagar e se fundir com o mar. A vontade de entrar na água tomou conta do seu corpo. Caminhou até seus pés não alcançarem mais o chão. Sentiu a água levando-o para algum lugar. Quando já não conseguia mais ver as luzes da ilha, sua cabeça afundou, mas não sentia vontade de voltar para a superfície. Sentia-se bem ali. Sentiu que ninguém o expulsaria de lá.
Sua visão foi escurecendo. Sentia seu corpo leve como se estivesse voando.
E hoje no fundo do mar dois corpos se abraçam.
domingo, 15 de abril de 2012
Adeus a mim mesmo
Adeus a mim mesmo.
Me arrancaram o baixo, me cortaram o cabelo
Nada sobrou dos meus cachos, nada restou do meu pelo.
E música que antes eu tocava, só vive agora nos meus ouvidos.
Tiraram de mim o bem mais precioso dos tempos divertidos.
Talvez não tenha meus cachos de volta, nem meu baixo em minha companhia
Mas o sentimento que em minh’alma sobra, toca em minha mente a mesma melodia.
E a voz rouca que minha garganta solta, há de um dia trazê-los de volta.
E o que foi arrancado de mim do corpo a fora, há de permanecer por dentro depois e agora.
E eu sinto melodia que me devora...
Me arrancaram o baixo, me cortaram o cabelo
Nada sobrou dos meus cachos, nada restou do meu pelo.
E música que antes eu tocava, só vive agora nos meus ouvidos.
Tiraram de mim o bem mais precioso dos tempos divertidos.
Talvez não tenha meus cachos de volta, nem meu baixo em minha companhia
Mas o sentimento que em minh’alma sobra, toca em minha mente a mesma melodia.
E a voz rouca que minha garganta solta, há de um dia trazê-los de volta.
E o que foi arrancado de mim do corpo a fora, há de permanecer por dentro depois e agora.
E eu sinto melodia que me devora...
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Poema - Andando em círculos
Andando em círculos
Hoje o fracasso bateu em minha porta
E eu abri
E o dia que tudo tinha para ser o mais lindo
Foi triste do início ao fim
E a tarde chorou comigo
E a chuva desabou em mim...
Hoje o fracasso bateu em minha porta
E eu abri
E o dia que tudo tinha para ser o mais lindo
Foi triste do início ao fim
E a tarde chorou comigo
E a chuva desabou em mim...
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