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domingo, 10 de outubro de 2010

Poema - O vôo do turvo pássaro

Esse texto inspirou a música "O Canto do Turvo pássaro"

"O Vôo do turvo pássaro"

Em um lugar distante havia
Uma bela clareira onde vivia certa espécie de ave.
Eram eles alvos e belos, e voavam como nenhum outro ser.

Mas nem todos têm essa sorte
E quando criança um desses pássaros
Turvo veio a nascer.
De seu ninho foi jogado para que no chão fosse devorado pelo primeiro que aparecer

A queda não o matou, e tão pouco o devoraram
Mas uma de suas asas quebrou, jamais conseguiria voar
Então ele levou meses para com suas pernas
Uma grande montanha conseguir escalar
E uma escura caverna, lá em cima, chamou de lar.

De lá ele avistava a clareira, onde todos eram belos e felizes, onde ele devia estar.
E uma dessas aves o chamou atenção,
Era a mais bela de todas e em todos esses anos,
Finalmente sentiu bater seu coração

Mas não muito demorou a essa ave vir a se casar.
Com o macho mais forte do grupo
Que era seu irmão de ninho, de lar.

E no dia da união desses dois
O turvo pássaro não pode agüentar
E sua miserável vida ele passou a questionar

Era a tarde mais bela de todas
Os alvos pássaros voavam e ouviam soar
Uma triste cantoria que vinha lá de cima
E ecoava no ar.

Quem diria que o turvo pássaro
Podia dons ter
Como tempo de sobra tinha passou a cantar

O canto parou subitamente e bem baixo ouviu-se um impacto no chão
Ninguém se importou, pois estavam felizes com a tal união

E o pássaro morreu como viveu, sem amigos, sem lar
E os vermes que hoje comem seu corpo
Discutem sua morte

Uns dizem que lá encima ele tentou voar
Outros dizem que nem sua boa asa viram balançar
E outros dizem ainda que suas lágrimas o próprio sangue vieram lavar.

E na clareira surge outro turvo pássaro...

2010

Poema - Aqueles que tudo querem

Aqueles que tudo querem
Nada tem...
E aqueles que nada querem
Tudo tem...
E eu que queria apenas ter alguém,
Acabei por ficar sem ninguém

O amor é um oceano profundo
Eu não sei nadar
Por isso me escondo em meu barco com um pequeno furo
Agonizando a minha hora de afogar...

Eu não olho nos olhos,
Pois os olhos respondem
Aquilo que as almas gritam,
Aquilo que os corações escondem

As flores têm uma beleza intercalada em suas pétalas
Acariciam o coração da amizade
Machucam as mãos do feio
Flores exibem em seu cálice
A bebida das abelhas e o mel dos apaixonados
As flores enfeitam tanto um alegre casal...
Quanto um triste funeral

O Espelho só reflete o que se põe em sua frente...

2007