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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Réveillon

Ele acordou naquele 31 de dezembro
E lavou seu rosto pela última vez
Olhou no espelho a última vez
Lembrou do passado uma última vez
Sofreu pela última vez...
Naquele ano

sábado, 29 de dezembro de 2012

As Mulheres da Estação

A Mulher de Primavera
Tem carinhos macios
Como o leve sopro do vento
E tem o olor das flores abertas

A Mulher de Verão
É calorosa e tem na pele o bronze do sol
Dona de um sorriso radiante, contagiante
Leva nos cabelos, as ondas do mar

A Mulher de Outono
É romântica e triste
Dona do olhar mais belo e profundo
Seus olhos são as árvores e suas lágrimas, as folhas

A Mulher de inverno
Te abraça forte para se curar do frio
Jura amor eterno, pede pra ficar
E quando faz calor, vai embora para nunca mais voltar

domingo, 23 de dezembro de 2012

Canção Natalina

Há algo no natal
Que não sei explicar
É um abismo do mal
É um sentimento sem par

Há uma saudade tão forte
De algo que ainda não existiu
Que arde como um corte
Uma navalha que me atingiu

Neste natal, não há compaixão
Não ganho presentes, não encontro razão
Para continuar lutando, em vão
Contra o aterrador sentimento de solidão

E passa mais um natal
Faltam poucos, afinal

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Primavera

O que há na primavera?
Esta misteriosa estação
Que é esperança para quem espera
Livrar-se da ardente solidão

É o magnífico tempo das flores
E o paraíso dos animais
É lar de novos amores
E aliança de novos casais

Quando até mesmo os incrédulos se impressionam
É que se desconfia que algo diferente está no ar
E até mesmo os feridos se apaixonam

Pois brava é a luta de quem busca seu par
Mas minha arma perdeu o fio de tanto cortar
Apunhalado no coração, renuncio ao querer, renuncio ao amar

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Instante Pequeno

Olhos que se encontram
Em um instante pequeno
Olhares que apontam
O objeto do desejo

Apenas um segundo
E os corpos se cruzam
Deixando o perfume profundo
Que as flores da primavera usam

Cabelos esvoaçantes pausam o tempo
Como se os segundos fossem horas
E seu perfume segue a favor do vento

E ambos se afastam sem olhar para trás
E fatalmente na vastidão do espaço
Não se encontrarão jamais

sábado, 15 de dezembro de 2012

Tecido do Tempo

Quebrei as barreiras do tempo
Me curei da cegueira do medo
Voltei a tempo pra ver
O Sol se acender

Assisti estrelas nascendo no céu
E servi rainhas, tecendo seu véu
Lutei em batalhas, soldados feridos no chão
E navalhas me cortaram como solidão

Anos passam tão rápido, correm
Um rio claro e plácido, que naveguei
Vi tanta gente nascer
Vi tanto homem morrer

O tecido do tempo se rasgou
A história do mundo se misturou
E eu vou andar, roubando as lembranças pra mim
Só vai acabar quando o Mundo chegar a seu fim

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

As Botas de Meu Pai

Papai era soldado
Lembro-me de brincar com suas botas e usar seu chapéu
Lembro-me das estrelas em seu uniforme
Lembro-me que era um homem sorridente, e me fazia rir

Um dia, papai não estava sorrindo,
Beijou e abraçou mamãe, como não fazia normalmente
Disse-me que tinha que viajar, mas que já voltava
Disse que não eu não podia ir junto, mas sempre escreveria para mim

De fato escreveu, mas apenas para mamãe, que chorava ao ler as cartas
Ela não lia para mim, pois dizia que eram difíceis demais para eu entende-las
Fiquei chateado com papai por não escrever para mim
E sentia falta de suas botas, seu chapéu, seu sorriso

Um dia chegou a última carta de papai
Parte desta era destinada a mim
Neste trecho dizia:

"Meu pequeno, sinto muito a sua falta.
Aqui onde estou, não há crianças para brincar.
Lembre-se que mesmo estando longe, papai estará sempre contigo.
Cuide bem da mamãe por mim.
Se estiver lendo isso é porque perdemos."

Nunca mais brinquei de soldado...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Descanso

Eu preciso de descanso
Esquecer os problemas
E as soluções
Esquecer de mim

Quero esquecer o ódio e a imperfeição do homem
Quero esquecer o amor, suas causas e efeitos
Quero esquecer que preciso acordar amanhã
Quero esquecer que quero esquecer

Quero repousar nos braços abafados da terra
Ver o verde crescer sobre mim
Fechar os olhos

Eu preciso do eterno descanso

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Dona Dalva

Dona Dalva, formosa e bela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua varanda, perfeita
A nenhum que passa faz desfeita

Passa o dia na varanda a sorrir, que energia!
Enche os homens do bairro de alegria
E do olhar alto de sua varanda, a cidade não tem defeito

E eu, de caminho para a estação
Pela primeira vez observo a cidade do chão

Pretos, pobres, pestes, postes
Prédios, poluição, papel e papelão
Perfeito, o prefeito pensou pelo menos
Por pérolas aos porcos é pensar pequeno

Passando a cidade, a estação que me aguarde!
Deste inferno arredo o pé, e não será tão tarde

No balanço do Trem eu sigo minha caminhada
Fecho os olhos e finjo que não vejo nada

Mas no meio dos barracos, quem vejo é ela
Dona Dalva, formosa e bela
A alva Dona Dalva
Do alto de sua janela

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sorriso

Embaixo da Jabuticabeira, no quintal de casa
Há uma pequena estátua de criança
Que sorri, que sorri
E chove, e esfria, e ela sempre sorri

Não sei quem a colocou neste lugar
Mas de certo, alguém criativo
Pois sempre que passo por lá
Admiro a pequena criança sorridente, vivendo uma eterna tarde perfeita

Todos os dias são, para essa pequena, momentos de alegria
Daqueles que lembramos para a vida toda
Doces momentos da infância, que passam e não voltam mais
Sentada à sombra da árvore

Será que ela sabe o quão sortuda é?
Será que sabe que fora de suas tardes perfeitas, sorrisos são tão raros
E que o tempo passa, e que a vida passa...
Será que sabe que a invejo?