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terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Assassino

Serei um assassino?
Ou serei a vítima?
Como posso ao mesmo tempo
Atacar e ser ferido mortalmente?
Será suicídio
Ou estou interpretando mal?

Livrei-me deste peso enfadonho
Matei minhas esperanças!
Serei eu assassino?
Sendo que o mundo massacrou meus sonho?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A Felicidade

Uma vez me perguntaram se sou feliz
Respondi que sim
E me chamaram de louco.
E ao verem minhas lágrimas posteriores
Me chamaram de louco novamente.

Pois, então, pergunto
Seria a felicidade, felicidade
Se todos os nossos momentos fossem de plena alegria?
Se acordássemos diariamente de bom humor?
Se as pessoas mais queridas nunca partissem ou morressem?
Seria a felicidade, nesses, casos esse sentimento tão espontâneo?
Ou seria apenas um tedioso sentimento comum?

Sou feliz, pois a solidão e a dor que rasgam meu peito
São quebrados pelos sentimentos mais simples
Como o sorriso mais sincero
Que minha mãe me dá quando abro a porta, de surpresa
Depois de muito tempo fora

E sou feliz porque ela acabou de fazer o café...

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Hidrofilia

Questiono-me de onde vem
Minha atração por água
Corrente ou estática

Vem da água do corpo
Da água do sangue
Da água da lágrima que escorre
Quando falta água

Riqueza

Sou rico!
Pois não tenho nada
Nem dinheiro, nem posses
Nem carro, nem nome

Sou rico
Pois não tenho vontade
Nem necessidade
De ter o que não tenho
Nem o que não posso ter

Sou rico
Pois tenho tudo o que quero
E tudo que tenho
Pois tudo o que tenho é o que quero
E o que quero é nada

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quatro Segundos é Muito tempo

Meu grito singular clama por razão
Não aguento mais ver você aí em cima
Nós devemos pensar e você fazer
Nos educar pra nação crescer

Na armadilha que você armou
Você mesmo caiu
Pense que é esperto
A revolução surgiu

Onde estou?
Não sei dizer
Pra onde eu vou e o que fazer
Já cansei de me perguntar

A justiça aqui morreu
A revolução renasce sem você saber
As crianças morrem
Sem poder crescer

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Tempestade

A tempestade de agora
É o que sentirei até o fim
As nuvens choram lá fora
E chove dentro de mim

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O Sopro da Paixão

Se a tua beleza, a maior das verdades,
Dos meus pobres olhos um dia se esconder
O mundo todo vagarei a procurar
Pois um segundo pode me matar
Se eu não tiver a graça de lhe ver

E das trevas, dominantes quando aqui não está,
Farei a luz suave que sua alva pele refletirá
E do silêncio caótico que habita a minha solidão
Farei ecoar pelos ventos o sopro da minha paixão.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Castiçal

Sou um breve sopro do vento
Passando rapidamente por vidas afora
Não por vontade, nem necessidade
É simplesmente o destino negro que me foi concedido

Um sabor tão forte
Que talvez seja impossível prova-lo uma segunda vez
Uma luz tão forte, que encanta
Porém acaba por ser apagada

São tantos os lugares por que passei
Tantos destinos cruzei
Que cheguei a dar um nó no meu próprio caminho

Como a chama da vela
Que já toca o castiçal
Talvez seja hora de apagar

sábado, 6 de abril de 2013

Palavras na escuridão

O que quero te dizer
Seus ouvidos não podem ouvir
E seus olhos
Talvez não possam ver

O que quero dizer
Somente seu corpo saberá sentir
E somente meus lábios
Saberão transmitir

Então feche seus olhos
E tape seus ouvidos
E deixe minha mão guia-la
Para junto do meu corpo

domingo, 24 de março de 2013

Luz

Em meio à escuridão
Ao longe, no nada
Há uma luz persistente

Eu tento imaginar quem está lá
Será que está só?
Será que imagina o mesmo de mim?
E esta luz suaviza a minha solidão

A noite densa, pesada se arrasta
E eu penso em me aproximar da luz
Verificar se há vida naquele lugar
E assim chego a sentir um sopro de alegria

Mas nos primeiros passos dados em tal direção
De súbito a luz se apaga
E com ela se apagou minha esperança
E com ela calei o sorriso que ensaiei

Mais uma noite neste deserto
Que fiz de mim
Mais uma noite...
Uma noite a menos do meu ser.

sábado, 9 de março de 2013

Tão Longe

Viajei pra longe de tudo
Rasguei os pensamentos
Sintonizei em mim

Uma janela se fechou
Para os meus olhos
Mas uma porta escancarou
O que há de bom em mim

Esse lugar nostálgico
É incrível, é mágico
Os velhos traços do tempo estão aqui

Não vou tentar mudar o rio
Eu vou deixar seguir
Vou caminhar
Não vou olhar pra trás

Eu vou tentar
Encontrar o meu olhar
Que eu perdi em algum lugar
Tão longe

segunda-feira, 4 de março de 2013

Renúncia

Quando a dor bate forte
Quando a solidão corta a minha carne como faca
É quando escrevo com a volúpia maior
É quando rego meus versos com o pranto

Do contrário, quando estou feliz
Quando entre amigos estou a gargalhar por nada
Meus versos são fracos e rasos
E as rimas se repetem ou são ralas

Será então a dor a condição para escrever?
Será a solidão o segredo por traz?
Se assim for, abro mão da caneta e tento esquecer
E aos meus versos, não volto jamais

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Tolice

É tempo de mudanças
Momento de refazer os planos
De represar a vida
E repensar a morte

Quando o chão torna-se escada
E você é obrigado a descer
Quando o que tem torna-se nada
E você tem que esquecer

Os planos tão belos
De amores eternos
De alianças e elos

Destruí-los todos
E ficar com fragmentos, poucos
Dos meus sonhos tolos

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Reflexo

Olhei no espelho
E vi um homem barbado e crescido
Não mais uma criança
Um rosto alongado e deformado

E dentro de sua mente
Não mais a criança feliz
Mas um adulto que não sorri
Como o tempo passa rápido...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Antes Que Seja Tarde

Joguei fora
Tudo o que me disse
Mesmo que fora de hora
Antes que me destruísse

Espero que entenda, um dia
Que quando as coisas estão certas
São uma estrada de uma via
E quebra-las torna as pessoas dispersas

E a distância fará em você
A cicatriz de meu silêncio hostil
E calarei em mim a dor de perder
A lembrança de uma boca que para mim sorriu

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Feridos de Guerra

Você me enlouquece
Me quer, me abandona
Me agrada, me esquece
Me odeia, me adora

O que quer de mim, se seu sorriso não é meu?
Provoca e vai embora, Judia de mim
Mas lembre que serei algo que você perdeu
Lembre que guerras deixam feridos no fim

Você brinca comigo
Finge não se importar
O seu desejo é meu castigo
Deixa o orgulho de lado, sinta o que há no ar

Estou cansado de jogar
Senta do meu lado, ouve o que fiz
Um poema pra você notar
Tudo o que eu sempre quis

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Só Sobraram Três

Das palavras que te dei, só sobraram três
Só sobraram três

As memórias que eu tenho, você as perdeu
E do tempo que me lembro, você se esqueceu
Até hoje você tem espaço nos poemas meus
De tudo que foi dito, de verdade, foi somente o adeus

Tempestade de fogo, Olho do furacão
Erros que não foram feitos também não têm perdão
Gritos no silêncio, silêncio do olhar
Os sentidos ouvem o que não podemos falar

O peso que carrego não é todo meu
Dos pecados que renego, muitos são seus
Para mim é tudo o mesmo, nada mudou outra vez
Das palavras que te dei, só sobraram três
Só sobraram três

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Protetor

Você não sabe como cansa
Ser uma criança
E não poder brincar
Suportar pilares nos braços
Mas não ter com quem contar

Não sabe como é caminhar
Por quilômetros por alguém
E ao chegar em seu destino
Não te deixarem entrar

Como é sentir frio
E ter de suportar a chuva por horas
Tendo que sorrir o sorriso que te rio
E ouvir suas queixas fúteis, senhora

Ter de guardar as palavras para mim
Somente para não a machucar
E suportar toda a culpa
Sem poder me justificar

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Medos

Quando olho diretamente em seus olhos
E eles me olham de volta
Algo como um medo me invade
Medo de não controlar as palavras
Medo deste sentimento que arde

São tão raros estes momentos
Dos sentimentos mais ternos
São dignos de monumentos
Pois são momentos eternos

Tão poucas vezes a vi de perto, assim
E já sinto saudades de ti
E nasce outro medo em mim
Medo de vê-la partir

E este sentimento me arrasa quando, ao cair da tarde,
Além dos tantos medos que sinto, temo ainda ser um covarde

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Conselho

Se acha que sua palavra é de tanto valor
Devo, contra a minha vontade, dizer-lhe que não.
Se procura saliências nos vidros por rancor
Presumo que é solidão

Se não consegue ver qualidades alheias
Sinto pena de ti
Pois são estas tuas atitudes feias
Que te impedem de sorrir

Preste atenção nas verdades que compartilharei contigo:
Cale-se e verá que para ti sorrirão
E encontrará seu primeiro amigo
Se enfim guardar consigo sua opinião

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mariposas

De tanto esperar sua volta
Tornei-me cansado
Com os olhos perdidos no nada
E com a expressão congelada

De tanto esperar sua volta
As sementes cresceram e floresceram
E as folhas amareladas das árvores
Cobriram o chão que pisara

Foi esperando sua volta
Que fiz de lar a solidão
E foi neste mesmo momento
Que fiz do pranto, canção

Um milhão de mariposas
Saúdam a noite caída
E o novo outono celebra o aniversário
De sua partida

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Perdido

Onde quer que eu vá
Tudo está errado
Mentiras, traições, violência, hipocrisia

Tudo está tão errado
Que penso que o erro
Sou eu

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A Dança das Cadeiras

Na dança das cadeiras
Só está sentado quem é só
Amaldiçoados, de qualquer maneira
Machucados de dar dó

Levanta-se da cadeira aquele que se vai
Acompanhado para nunca mais voltar
E da vida de todos os demais ele sai
Deixando tudo e sem, para trás olhar

Quem ficará desamparado
Nesta última estrofe?
Pois nessas cadeiras só está sentado
Aquele que profundamente sofre

Mas não fique você abismado
Pois na dança das cadeiras sempre estive sentado

domingo, 27 de janeiro de 2013

Aniversário

Hoje você faz
Um ano e mais histórias
Para contar
Para quem esteve ao seu lado e sempre vai estar

Não se esqueça do que se passou
Neste livro que não terminou

E quando estiver por aqui
Não se esqueça de lembrar
De quem nunca se esqueceu
De ti

Quando precisar
De ouvidos prontos para
Te escutar
Saberá,
que estamos todos aqui

Não se esqueça do que se passou
Neste livro que não terminou

E quando estiver por aqui
Não se esqueça de lembrar
De quem nunca se esqueceu
De ti

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Queda Livre

Há momentos em que continuar é um desafio
E algo pesa dentro de mim
Como o pior vazio
Que se arrasta, lento, sem fim

É em noites como a de hoje
Que me lembro do que deveria esquecer
E no papel, voo para longe
E escrevo como se fosse morrer

sábado, 19 de janeiro de 2013

A Rosa Branca

Em um campo de rosas, nascera uma rosa branca.
Mesmo que ainda por abrir, destaca-se a tal rosa franca.
E não sei se por bondade, ou se por destino
Esta flor nascera sem espinhos.

Pobre flor queima no próprio fogo interno
Pois ainda jovem já conhecera os castigos do inverno
Miro de longe, pétala a pétala se abrir
Pois não me permito ao desleixo de a rosa branca ferir.

Os ventos mais fortes não te derrubarão
Pois suas raízes fortes te seguram no chão
E estes ventos que sopram logo passarão

E as gotas de orvalho que das tuas folhas escorrem
Secarão ao sol da primavera que vem
Pois as tempestades que chegam, logo morrem

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Pierrot

Pierrot,
Lembra daquela que o deixou
E sente as lágrimas que chorou
Vendo, distante, o passado que passou

Pierrot,
Repete em sussurros as palavras que escutou
E tragicamente lembra que nunca deixou
Para trás o infortúnio que o arruinou

Pierrot,
É o que de si restou
Pois mesmo ao deixar os palcos em que atuou
Sempre há de ser Pierrot

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Assassino

Quando algo dá errado
Eu sacrifico parte de mim
A parte que sonhava e que acreditava
E que sofreria eternamente pelo incidente

Sacrifício após sacrifício,
Eu sou uma selva devastada de mim
E por mim
Sou o tiro e o corpo no chão

E assim segue...
A cada dia um novo eu
A cada dia menos eu
Eu, assassino de mim

domingo, 6 de janeiro de 2013

?

De todas as palavras do mundo
Todas as frases que eu poderia formar
De tudo o que eu poderia dizer
Eu só consigo perguntar: "Por quê?"

sábado, 5 de janeiro de 2013

Anjo

Mãe, eu me apaixonei por um anjo
Você precisa ver
Como é linda e delicada
Como é graciosa a pequena

Mãe, eu me apaixonei por um anjo
Talvez você não possa vê-la
Pois só eu posso ouvi-la
Pois só eu posso toca-la

Mãe, eu me apaixonei por um anjo
Que voz doce ela tem
Canta belíssimas canções
E meus ouvidos sentem prazer

Mãe, eu me apaixonei por um anjo
Talvez seja presságio de morte
Ou talvez seja só amor
Mãe, eu me apaixonei por um anjo

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Naufrágio

Em meu barco, no mar bravo, que talvez me engolirá
Enfrento uma tempestade violenta, mas tento fugir
Das ondas que me jogam para cá e para lá
Porém tento persistir, tento persistir

Pois um dia voltarei à terra
E encontrarei aqueles olhos que me guiaram
Cansado e ferido, para a vitória nesta guerra
Contra os ventos e as ondas que por minha morte esperaram

De repente as velas se rasgam com o vento
E a água violenta ameaça quebrar
O pequeno barco e afunda-lo comigo dentro

E eu, já desiludido passo a me lembrar
Do sorriso daquela que está a me esperar
E com os olhos fechados, espero encontra-la no fundo mar