Os Homens de Pedra não são de pedra realmente. São de carne e osso, mas não mais do que isso.
Tudo o que os estes homens fazem é voltado à sua sobrevivência, se caçam é para comer, se plantam é para colher.
Os Homens de Pedra não são como os homens comuns, são incapazes de sentir qualquer afeto. Por isso não têm lar, família ou grupo. Vivem solitários, morrem solitários.
Quando se ferem, não se apressam a fazer curativos, deixam o sangue escorrer até a última gota. Homens de Pedra morrem muito cedo.
Não há funerais para eles. Se um deles morre, não há choro, nem mesmo enterro.
Tudo isso é porque os Homens de pedra, por alguma razão, não têm sentimentos. Não sentem saudade, não se apegam a lugares ou objetos, não amam.
Os Homens de Pedra não sofrem.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2012
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Lágrimas de cebola
Toda noite, quando chego do trabalho, cansado e faminto, pego a nega na cozinha soluçando em pranto. – O que foi, Nega? - eu pergunto - É a cebola, Nego - ela responde.
E todo dia é a mesma história, a nega chora na cozinha e põe a culpa na cebola.
Um dia cheguei e a nega não estava. Deixou a cebola na metade sobre a mesa e um bilhete na geladeira dizendo que foi embora e que não voltava mais. Sem motivo, sem razão.
Peguei a cebola e comecei a cortar para fazer a janta, já que estava faminto.
Chorei de soluçar... Lágrimas de cebola?
E todo dia é a mesma história, a nega chora na cozinha e põe a culpa na cebola.
Um dia cheguei e a nega não estava. Deixou a cebola na metade sobre a mesa e um bilhete na geladeira dizendo que foi embora e que não voltava mais. Sem motivo, sem razão.
Peguei a cebola e comecei a cortar para fazer a janta, já que estava faminto.
Chorei de soluçar... Lágrimas de cebola?
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Caixa de Pandora
A linha que difere um homem de um lunático é fina e confusa
Creio que ainda não nasceu o dia em que estive em um desses dois lados.
Outrora, jogado nos braços calorosos do amor, pensei ter encontrado a cura
Vejo que me enganava todo esse tempo e a cura era apenas alívio.
Os mesmos lábios que me beijavam espontaneamente, trouxeram novamente a loucura à tona
E hoje, na solidão em que me encontro, vasculho o vazio de meus dias me perguntando
Onde esqueci minha razão? Quando foi, nestes longos anos, que errei tão imperdoavelmente?
E a minha inquietação é tão perturbadora que nem mesmo eu gostaria de me fazer companhia.
Pandora, a mulher, fora mandada à terra pelos deuses como punição aos homens.
Em seu baú, trouxera todos os males dos quais sofremos hoje.
E ao abrir seu baú amaldiçoou o mundo tornando-o real, como conhecemos.
Apenas uma das pragas permanecera no baú.
Não se sabe se foi por piedade de nós, pobres humanos
A praga aprisionada, a Esperança.
Este mito explica a ruina de minha vida, crer e caminhar para a luz
Acreditar na glória de minhas virtudes e feitos
E esperar reciprocidade por minha dedicação
Vivo hoje recluso na penitência do meu ser
Trancafiado com meus livros em meus aposentos, na escuridão
E na memória, uma imagem nítida da Pandora de minha vida, abrindo seu baú
Que destruiu em mim a rima vulgar que eternamente farão.
Creio que ainda não nasceu o dia em que estive em um desses dois lados.
Outrora, jogado nos braços calorosos do amor, pensei ter encontrado a cura
Vejo que me enganava todo esse tempo e a cura era apenas alívio.
Os mesmos lábios que me beijavam espontaneamente, trouxeram novamente a loucura à tona
E hoje, na solidão em que me encontro, vasculho o vazio de meus dias me perguntando
Onde esqueci minha razão? Quando foi, nestes longos anos, que errei tão imperdoavelmente?
E a minha inquietação é tão perturbadora que nem mesmo eu gostaria de me fazer companhia.
Pandora, a mulher, fora mandada à terra pelos deuses como punição aos homens.
Em seu baú, trouxera todos os males dos quais sofremos hoje.
E ao abrir seu baú amaldiçoou o mundo tornando-o real, como conhecemos.
Apenas uma das pragas permanecera no baú.
Não se sabe se foi por piedade de nós, pobres humanos
A praga aprisionada, a Esperança.
Este mito explica a ruina de minha vida, crer e caminhar para a luz
Acreditar na glória de minhas virtudes e feitos
E esperar reciprocidade por minha dedicação
Vivo hoje recluso na penitência do meu ser
Trancafiado com meus livros em meus aposentos, na escuridão
E na memória, uma imagem nítida da Pandora de minha vida, abrindo seu baú
Que destruiu em mim a rima vulgar que eternamente farão.
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